Passei anos achando que não dava para construir relação por mensagem


Passei anos achando que não dava para construir uma relação de verdade por mensagem.
Não era só sobre WhatsApp ou conversa por chat.
Eu pensava praticamente o mesmo sobre qualquer rede social, até mesmo o LinkedIn.
Meu raciocínio, na época, parecia bastante lógico: relação se constrói olho no olho, em reunião, no almoço, em eventos, numa visita.
Mensagem servia para divulgar algo, enviar documento, combinar horário.
A pandemia começou a mudar isso.
Muita coisa que eu achava que só funcionava presencialmente passou a acontecer por uma tela, muitas vezes por mensagem.
Algumas funcionavam melhor do que eu imaginava.
E eu demorei um bom tempo pra perceber que estava confundindo duas coisas:
uma é o canal.
A outra é o jeito de conversar dentro dele.
Eu atribuía à mensagem uma frieza que, muitas vezes, estava na própria forma como a gente escrevia.
E não percebia o que acontecia: assim que eu mudava o canal, passava a escrever de uma forma diferente, naturalmente.
Mensagem genérica.
Frases mais formais.
Textos longos e densos.
Pitch antes da hora.
Pouco contexto.
Pergunta com cara de roteiro.
E foco 100% no meu negócio.
Nos anos seguintes fui observando isso e testando outras formas de iniciar essas conversas.
No último ano ficou claro.
Em alguns projetos, passei a fazer boa parte da prospecção por mensagens, em vários canais e redes sociais.
LinkedIn e WhatsApp, principalmente.
Em média, 8 reuniões a cada três semanas. E com um número muito menor de novas abordagens.
Na grande maioria, falando diretamente com CEOs e diretores de empresas médias e grandes.
E algumas das conversas mais qualificadas que consegui iniciar começaram justamente assim.
Por mensagem.
Não porque mensagem seja melhor que ligação, reunião, evento ou visita.
Mas porque comecei a chegar diferente.
Sempre com muito contexto.
Com algum motivo real para aquela conversa acontecer.
E, principalmente, sem tentar transformar a primeira mensagem em um pitch ou em um pedido de reunião.
Continuo acreditando no olho no olho, na reunião, no almoço e na visita.
O que eu deixei de acreditar é que uma relação só pode começar ali.
Às vezes ela começa com uma mensagem. Desde que do outro lado dela exista alguém conversando com alguém.
E você, o que já precisou desaprender depois de muitos anos trabalhando com vendas?



Comentários