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"Se eu seguir um roteiro, a conversa deixa de ser natural."

Foto do escritor: Fabrício Delmondes
Fabrício Delmondes
há 4 dias
2 min de leitura

"Se eu seguir um roteiro, a conversa deixa de ser natural."

É uma objeção que escuto bastante quando falo em método para conversas.

E ela parte de uma ideia que não se sustenta: a de que natural é sinônimo de improvisado.

Pense em um diálogo de filme ou série que parece uma conversa absolutamente natural.

Provavelmente ele foi escrito. Reescrito. Cortado. E talvez ensaiado várias vezes.

Ainda assim, quando funciona, parece espontâneo.

Nos estudos da linguagem existe uma ideia interessante para explicar isso: naturalidade elaborada.

A naturalidade não precisa nascer do improviso.

Ela também pode ser construída.

E há uma razão prática para isso importar em vendas.

Numa conversa ao vivo, você tem tom de voz, pausa, expressão e a possibilidade de corrigir imediatamente algo que não ficou claro.

Na mensagem escrita, boa parte desses recursos desaparece.

O texto precisa fazer mais trabalho sozinho.

Um exemplo simples.

A mensagem escrita de primeira:

"Conforme nossa conversa, segue em anexo o material institucional para sua análise e validação."

A mesma mensagem, depois de pensar um pouco na conversa que aconteceu:

"Te mandei o material. No item 2 está aquela questão do reajuste que você levantou. Era isso que você queria entender?"

A primeira está correta.

A segunda parece mais natural.

E foi justamente a mais elaborada.

Agora, existe um limite que me parece essencial:

o que se elabora é a forma, nunca a intenção.

O sinal que você observou é real. A curiosidade é real. A pergunta é real.

O método entra para ajudar a encontrar uma forma melhor de colocar isso na conversa.

Roteiro não é texto para decorar.

É preparo para improvisar melhor.

E você: quando uma mensagem é realmente importante, escreve de primeira ou costuma reescrever antes de enviar?

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