Sua empresa foi para o WhatsApp.


Sua empresa foi para o WhatsApp.
Tem gente escrevendo lá como se estivesse enviando um memorando.
E existe uma explicação interessante para isso. Ela não vem de vendas, vem da linguística.
Quem estuda língua falada e escrita separa duas coisas que a gente costuma confundir.
A primeira é o meio: se a mensagem é falada ou escrita.
A segunda é a concepção: se ela foi pensada para funcionar como uma conversa próxima ou como algo produzido à distância.
E o detalhe importante: as duas são independentes. Um episódio de podcast é falado, mas concebido como escrita: roteirizado, sem interrupção, sem ninguém do outro lado. Uma mensagem para um amigo é escrita, mas concebida como fala.
Agora veja o que aconteceu na maioria das empresas.
Elas mudaram o meio. Foram para o WhatsApp. Mas não mudaram a concepção.
Continuaram escrevendo na chave da distância: parágrafo longo, tom formal, informação demais, pergunta de menos.
O canal é de imediatez. A mensagem chega da distância.
Por isso ela soa estranha mesmo quando está bem escrita.
E ela costuma estar bem escrita. Só que para outro lugar.
Tem um detalhe nisso que quase ninguém percebe.
Texto concebido para a distância tende a carregar muita informação de uma vez, porque quem escreve não estará lá para explicar depois.
Texto de imediatez faz o contrário: entrega pouco de cada vez, porque conta com o próximo turno, que é a vez do outro responder.
Então não é escrever menos. É dizer menos por vez.
O ponto que interessa a quem vende é este: trocar de canal é fácil. Trocar de concepção é o que quase ninguém faz.
E não estou falando de escrever errado ou perder a seriedade.
Estou falando de escrever para uma pessoa que está do outro lado agora, com o celular na mão. Não para um documento que vai ser arquivado.
Pense na última mensagem que seu time mandou para um cliente.
Ela foi escrita para uma pessoa ou para um arquivo?



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